sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Contos Tradicionais dos Lobisomens: O juramento do homem

Em tempos que já lá vão aconteceu um dia de se encontrarem no mesmo abrigo durante uma noite chuvosa o lobo, o raposo e o homem.
Começaram o lobo e o homem a discutir que iriam caçar para comer, mas o raposo nada disse. Como não conseguiram combinar o que caçariam, foi lobo para um lado e o homem para o outro e o raposo deixou-se ficar, dizendo que ficaria de vigia e que não se preocupassem com ele, pois não sentia fome.
Regressando o homem em primeiro lugar com o que comer, logo tomou atenção para não cair nas artimanhas do raposo, que era por demais conhecido pelas suas partidas e gatunices.
Chegando o lobo com o que tinha caçado, logo o raposo o enganou e ficou-lhe com a carne. Apercebendo-se que tinha sido enganado, o lobo lutou com o raposo e após umas mordelas e dentadas, recuperou a carne, e de imediato a partilhou com o raposo.
Ao assistir a isto o homem ficou muito confuso e perguntou ao lobo, “Porque partilhas a tua carne com quem te roubou?” Ao que o lobo respondeu “Porque o raposo é melhor forte que eu.”
O homem não entendeu nada e perguntou ao raposo, “Porque aceitas a ajuda de quem te derrotou?” Ao que o raposo respondeu “Porque o lobo é melhor esperto do que eu.”
O homem então ficou realmente confuso com o que ouvia e implorou ao lobo e ao raposo que lhe explicassem o que lhe tinham respondido. Mas o lobo e o raposo nada mais disseram e ficaram muito tristes, pois sabiam que o homem era incapaz de compreender o que eles estavam a falar.
O homem realmente não entendia e começou a oferecer ao lobo e ao raposo tudo quanto lhe pertencia para que estes lhe respondessem. Mas nada daquilo que pertencia ao homem interessava quer ao lobo, quer ao raposo.
Tanto insistiu o homem, que por fim o lobo disse-lhe “Nada tens de teu que me interesse, mas se jurares pelo Pai de Todos que me darás o que quer que eu te peça no futuro, pedirei ao Pai de Todos que te faça entender as nossas palavras.”
O homem estava tão desesperado por entender que aceitou fazer uma promessa de tal gravidade, e após o lobo ter chamado o Pai de Todos como testemunha, o homem jurou que entregaria ao lobo o que quer que este lhe pedisse no futuro. O Pai de Todos testemunhou a promessa do homem e deu-lhe o entendimento necessário para perceber as respostas do lobo e do raposo.
E então explicou o lobo, “O raposo é melhor forte do que eu, porque eu só sei usar a minha força para lutar e o raposo faz muitas coisas com a sua força.”
E continuou o raposo, “O lobo é melhor esperto do que eu, porque eu só sei usar a minha inteligência para enganar e roubar, e o lobo consegue pensar e criar muitas coisas.”

Finalmente o homem entendeu, mas de vez em quando esquecia-se das palavras do lobo e do raposo e só sabia usar a sua força para lutar e a sua esperteza para enganar. Contudo o juramento que fez, cumpriu, e muito perdeu e muito ganhou.

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