domingo, 2 de fevereiro de 2014

Converseta: Transcrição do programa de 2014-01-31

(inicio de transcrição)
Anabela Matos (Apresentadora) [AM] Ora então muito bom dia a todos os nossos ouvintes! Cá estamos nós mais uma vez em vésperas de fim de semana! Finalmente, já estamos mais que prontos para um descanso bem merecido!
João Luís (Apresentador) [JL] Merecido, merecido... também não sejamos exagerados. Há por ai muito profissional só de nome.
Rita Félix (Convidada Permanente) [RF] Ai lá está ele com o mau feitio! Ó João, com esses azeites não chegas a velho.
[JL] Ai chego, chego! E digo mais, até fico cá p'ra semente.
[RF] Agora é que acertastes. Nem os anjinhos te aturam quando estás dessa forma.
[JL] O minha senhora dona Rita Félix! Fique sabendo que já tenho caldeirão apalavrado lá p'ra baixo!
[RF] No Algarve? Pensava que lá era só apartamentos de féria.
[JL] Ai valha-me uma santa que esteja de turno aos apresentadores de rádio com mau feitio...
[AM] Vá-lá pessoal. Portem-se bem, que isto não é aquela casa de que fomos proibidos de falar mais. Afinal somos todos adultos responsáveis e comedidos.
[RF] Responsável! Comedida! Ó Anabela, vê lá o que dizes! Olha que consigo tão peixeira como se tivesse nascido na praça a gritar o preço da sardinha!
[JL] É verdade, verdadinha. Rita, se quiseres uma testemunha estou completamente disponível.
[AM] Ora bem! Vamos nem sequer começar com peixeiradas que eu só sei apresentar programas de rádio. Para começar, parabéns Rita! Já são dez anos como nossa convidada.
[RF] É verdade! Foi à dez anos aquela primeira entrevista... Olha lá não vão dar uma de Gato Fedorento e voltar a passar aquela vergonha, pois não?
[JL] Não te preocupes que não a vamos repetir. De qualquer forma nem é preciso. Continua a estar no top 10 dos programas com mais downloads do site cá da rádio.
[AM] Bem! Adiante. Rita, após dez anos, como é que lembras daquela cabeça de vento que entrou no nosso estúdio pela primeira vez, para falar de uma personagem de telenovela?
[RF] Olha, por vezes com saudades de quão tapadinha era.
[JL] Tens saudades de não fazeres ideia do mundo que te rodeava?
[RF] Em certos momentos, sim. Tenho saudades de não fazer ideia do que me rodeava.
[AM] Hmmm... Mas a tua vida tem sido um sucesso aos olhos do mundo.
[RF] Não estou a negar que existiram momentos extraordinários nestes dez anos desde que falamos pela primeira vez. Mas igualmente percebi que a vida é maior do que as telenovelas fazem crer.
[JL] Arrependes-te de ter representado a Aninhas?
[RF] Não... Ouve momentos em que senti muita vergonha por a ter representado, mas com o tempo acabei por perceber que a Aninhas, com toda a sua ignorância e com toda a sua cobiça, era igualmente muito inocente. Eu e ela tinha-mos essa caraterística em comum: éramos ambas muito inocentes.
[AM] Uma década depois como vês a tua escolha para representar uma canis? Sendo tu félix, lembro-me que foi uma confusão para muita gente.
[RF] Também foi muito confuso para mim perceber de inicio essa escolha do Miguel, mas acabava por fazer todo o sentido, pois praticamente não havia transformações em cena. Os personagens estavam muito direcionados para o diálogo, quase não havia cenas de ação.
[JL] Para aqueles que nos estão a ouvir, Miguel Rodrigues foi o autor, produtor e realizador de “Um Amor Verdadeiro”, uma das mais bem sucedidas telenovelas da nossa televisão com inúmeros prémios nacionais e internacionais.
[AM] Infelizmente, “Um Amor Verdadeiro” foi igualmente o ultimo trabalho do Miguel Rodrigues, pois ele faleceu repentinamente quanto estava a preparar o seu projeto seguinte, “A terra sob os teus pés”.
[RF] Foi realmente uma grande perda para as artes quando o Miguel morreu. Eu não tinha sido escolhida para nenhum papel na “A terra”, mas li a sinopse e alguns guiões dos primeiros capítulos e era algo de sublime. Foi realmente trágico que tenha ardido tudo naquele incêndio que vitimou o Miguel.
[JL] É claro que até hoje continuam as teorias da conspiração acerca desse incêndio...
[RF] Continuam apenas para aqueles que não conheciam o Miguel! Quem quer que se tivesse cruzado com ele, sabia que ele era um fumador compulsivo. Ele não largava os cigarros nunca, e não seria a primeira vez que pegava fogo a qualquer coisa por por não prestar atenção aonde punha os cigarros acessos.
[AM] A verdade é que se perdeu um dos melhores artistas do nosso pais, mas a sua memória perdura. E as suas intenções também!
[RF] Isso é verdade. A Aninhas era uma palerma interesseira, mas foi extremamente eficaz a criar ligações com o público. Na realidade a personagem foi tão bem sucedida, que começou a assumir parte das funções que deveriam ser da Margarida, que era a sua mãe na telenovela. As pessoas gostaram tanto de ver os disparates em que a Aninhas se metia, que a tarefa de mostrar o dia a dia dos metamorfos passou para ela.
[JL] É verdade que a Joana Guerra, a atriz que fazia de Margarida, a tua mãe na telenovela, se zangou com o Miguel por causa de lhe esvaziarem a personagem?
[RF] Mais uma vez não passa tudo de mitos e diz-que-disse. A Joana teve que permitir a alteração ao seu personagem, pois as caraterísticas do personagem faziam parte do contrato que tinha assinado. A dificuldade foi com o Miguel, que não queria mexer em nada da “sua visão”. O que realmente aconteceu foi que a Joana engravidou e teve de aligeirar a carga horária de filmagens. Se bem se lembram, a personagem dela começou a demonstrar como era um gravidez tardia para uma mulher com mais de 40 anos.
[AM] Não sabia que as caraterísticas dos personagens faziam parte dos contratos dos autores.
[RF] E não fazem normalmente. Mas a Joana já andava à muito tempo nisto e não queria que lhe arrebentassem com a carreira por dá cá aquela palha. Eu que é era fazer como me diziam ou não voltava a fazer nada em televisão.
[JL] Então é verdade que és madrinha da ninhada dela?
[RF] (ri-se) Não! Eles chamam-me todos de irmã mais velha e passam o tempo a ensinar-me a uivar, mas na altura eu e a Joana tinha-mos acabado de nos conhecer. Não se convida ninguém para apadrinhar, que não seja muito bem conhecido por nós. E os lupus são piores em relação a isso.
[AM] Voltando à Aninhas, do que mais te recordas dela?
[RF] Da relação dela com o António. A cena em que eles se separam, continuam a ser das mais duras que tive de representar. Aliás, eu nem sequer as vi na sua forma final.
[JL] Nunca viste uma das cenas mais dramáticas da nossa televisão?
[RF] Não. Na altura estava muito mergulhada na personagem, e tudo aquilo doeu muito à atriz, talvez por eu não ser capaz de uma traição tão grande na vida real.
[AM] Ainda assim, a Aninhas continuou a ser uma das personagens preferidas dos telespetadores.
[RF] É verdade. Uma boa vilã tem sempre muitos seguidores.
[JL] Ora bem. Temos de prosseguir com o nosso programa, e vamos agora entrar em contacto por telefone com um convidado regular do nosso programa: Dr. Fernandes! Bom dia!
Dr. Joaquim Fernandes (Convidado regular) [DF] Bom dia João! Bom dia Anabela! E parabéns Rita! E já agora, os meus agradecimentos. Se não fosse pela sua presença eu nunca teria sido convidado para falar neste programa.
[RF] Não tem de quê Dr. Fernandes! Afinal de contas, alguém tinha de me explicar os meus disparates. É verdade que na altura não achava piada nenhuma, mas hoje em dia, quando me recordo das nossas discussões até caio da cadeira a rir-me de mim mesma.
[DF] Eu é que agradeço. Os seus disparates eram os disparates de muita gente. A quantidade de enganos e erros que se desfizeram fez valer tudo a pena.
[JL] Ai que eles ainda voltam ao Fernando Pessoa!
[RF] Porta-te bem, ó rabugento por convicção! Deixa os adultos falarem!
[AM] Meninos! Vá lá! O meu nome é Anabela, não Teresa.
[DF] Isso quer dizer que não posso ser a voz?
[AM] Ó senhor doutor Joaquim Fernandes! Também você?
[RF] Não lhe ligue dr. Pode ser a voz sim senhora!
[AM] Não pode nada! Os da televisão ainda nos ameaçam com outro processo!
[JL] Mas eu queria ser a peixeira!
[AM] Calou! Aqui quem manda sou eu e as votações para a expulsão ainda não foram encerradas e para expulsar basta telefonar para... Já viram o que fizeram? Agora até eu fui na onda!
[JL] (com voz sedutora) Deixa-te ir Anabela. Aqui na casa está-se muito bem.
[RF] (muito aflita) Não Anabela! Não o escutes! Volta para a luz! Recusa o lado negro!
[AM] Lado negro? Afinal é a casa ou a Guerra das Estrela?
[RF] (continuando muito aflita) É aquele que me levar até Hollywood, Anabela!
[JL] Agora é que descarrilou.
[AM] Agora falando a sério. Dr. Fernandes. De tudo aquilo que se discutiu e esclareceu nas nossas conversas, qual é o tema que ainda dá mais luta?
[DF] Sem dúvida alguma que é o dos parceiros perfeitos, ou almas gémeas, ou qualquer um dos outros nomes que lhe queiram dar.
[JL] Ainda à gente a insistir nessa?
[DF] Sem dúvida alguma que ainda à gente a insistir nessa. E é fácil entender o porquê. O romantismo associado à ideia de um parceiro perfeito pré-destinado é muito forte para as adolescentes e não só. A ideia de que existe alguém que é só nosso é muito apelativa.
[RF] Só para que fique claro: Pessoas! Não existem parceiros perfeitos!
[AM] Calma Rita. Calma. Queres um chazinho de camomila para os nervos?
[DF] Um chazinho agora é que nem ginjas. De qualquer forma, o que a Rita disse é o essencial de tudo aquilo que disse acerca do tema. Apesar dos metamorfos poderem sentir-se sexualmente atraídos pelo cheiro de certos indivíduos, isso não é muito significativo na sua escolha de parceiros permanentes. São outros os critérios que levam os metamorfos a serem emocionalmente fieis. Essa fidelidade emocional nem sequer se traduz necessariamente numa fidelidade sexual. São inúmeros os exemplos de fidelidade emocional conjugada com infidelidade sexual declarada ou até requerida pelos mais diversos motivos.
[AM] Bem dr. Fernandes, vamos ter de fazer um intervalo para publicidade e já voltamos à nossa converseta.

(fim de transcrição)

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